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Kroton tem mais alternativas que a Estácio caso fusão seja rejeitada, diz advogado

Rodrigo Valverde afirma que a "dureza" do Cade não é uma tentativa de passar credibilidade em meio as suspeitas de influências do governo no órgão

13 / 11 / 2017 - Estudos, Na imprensa ///

A fusão entre Kroton e Estácio virou uma verdadeira novela dentro do Conselho Administrativo de Defesa Econômica (Cade). Tudo leva a crer que a autarquia rejeite a operação em sessão marcada para esta quarta-feira (28). Segundo Rodrigo Valverde, sócio do escritório de advocacia Schroeder&Valverde, um dos advogados que intermediou a fusão da Americanas.com e Submarino.com em 2006, o “gigantismo da Kroton” é o que deixa os membros dos colegiados mais convictos da não aprovação. Além disso, ele afirma que a empresa tem mais alternativas que a Estácio no setor.

Ao Giro Business Digital, Valverde afirmou que a possível decisão do Cade se deve a grande concentração que a Kroton possui no setor, pelo seu histórico de aquisições. Atualmente, é dona de marcas como Fama, Anhanguera, Pitágoras, Unic, Uniderp, LFG, Unipe e Unopar. Se adquirir a Estácio, sua participação aumentaria significativamente, o que, segundo ele, infringiria os princípios do órgão que regula o nível de concorrência entre as empresas do setor.

A conselheira Cristiane Alckmin é a única a favor da fusão. Após levar três meses analisando o processo, ela pediu a venda da Uniderp, de ensino a distância, e 250 mil matrículas da Anhanguera. Para os outros membros do Cade, os remédios são insuficientes e pediram a venda total da Anhanguera, o que, para a Kroton, ficou inviável. Na semana passada, foram nomeados e Alexandre Barreto e Mauricio Maia. Os votos deles, no entanto, não mudarão o resultado.

Perguntado sobre a possibilidade do órgão estar sendo mais duro para mostrar credibilidade depois de suspeitas de influências do governo, o advogado disse que o caso tem sido analisado tecnicamente pelo Cade. “Eu acredito no corpo técnico. As decisões têm sido bastante técnicas. Não acredito que seja uma forma de passar credibilidade”, disse ao Giro. Em delação, Joesley Batista afirmou que Michel Temer destacou o deputado federal Rodrigo Rocha Loures para intermediar os interesses da JBS dentro do órgão.

Rodrigo Valverde disse que, se a fusão não for aprovada, a Kroton tem mais alternativas que a Estácio. Segundo ele, a empresa de Rodrigo Calvo Galindo é mais experiente em aquisições, tem caixa e “possui tudo para ser líder do setor”. A Estácio, por sua vez, pode virar alvo de uma nova aquisição ou pode optar pela capitalização, diz ele.

Segundo o advogado, a Kroton deve continuar buscando novas aquisições a fim de ganhar mais espaço no setor educacional. A revista Veja revelou que a empresa tem um plano B caso a fusão seja rejeitada. Ela deve mirar na Somos, grupo de educação básica.

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